Reunião com líder norte-coreano pode ser adiada, afirma Donald Trump

Em coletiva de imprensa, nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos admitiu que as negociações para o encontro com Kim Jong-un podem atrasar


Encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un estava marcado para o dia 12 de junho, em Singapura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22) que a reunião histórica com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, poderá ser adiada. O encontro estava agendado para o dia 12 de junho, em Singapura .

Durante uma coletiva de imprensa em conjunto com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, que visita a Casa Branca para tentar garantir a realização da reunião, Donald Trump afirmou que estão trabalhando. "Vejamos o que vai acontecer. Se não for agora, talvez aconteça mais tarde", disse o republicano.

Segundo o magnata, o prazo de cerca de 20 dias é curto para acertar os principais detalhes para a reunião ser finalizada, mas "ainda há uma boa chance" de a data original ser mantida. O presidente norte-americano ainda ressaltou que estabeleceu algumas condições para que o encontro aconteça e se não forem aceitas será mais um motivo para cancelar o evento.

Na semana passada, Kim também colocou em dúvida a realização da cúpula com o republicano e suspendeu o diálogo com a Coreia do Sul em decorrência de exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos.

De acordo com o líder norte-coreano, os testes são vistos como um treino para as tropas invadirem seu país. Pyongyang estava dando sinais de abertura ao diálogo, como a libertação de prisioneiros norte-americanos e a desativação de uma central de testes nucleares. No entanto, este delicado processo de aproximação pode ser barrado em meio a este novo impasse.

Moon, por sua vez, chegou à Casa Branca em uma tentativa de manter o processo de aproximação entre Kim e Trump, logo depois de participar de uma cúpula intercoreana na qual prometeu assinar um acordo de paz com a Coreia do Norte.

Acordo “garante permanência” de Kim no poder

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, disse no último dia 13 que o país norte-americano irá garantir a permanência do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, após um possível acordo. Pompeo afirmou ainda que se o ditador norte-coreano concordar em desmantelar completamente seu programa de armas nucleares, o governo Trump permitirá que o setor privado americano invista no país.

Segundo Pompeo, se um acordo for fechado na reunião de cúpula entre Kim e Trump no dia 12 de junho, “americanos do setor privado” poderiam “ajudar a construir a rede energética que a Coreia do Norte precisa”. Pompeo disse ao Fox News Sunday que os americanos também poderiam ajudar com investimentos em infraestrutura e agricultura.

Já ao programa Face the Nation, da CBS, Pompeo sugeriu a possibilidade de "alívio de sanções". Para a senadora da Carolina do Sul Lindsey Graham, o investimento privado ou o alívio de sanções para o Norte seria "o melhor dinheiro que já gastamos".

Perguntado se os EUA estavam efetivamente dizendo a Kim que "a mudança de regime será cancelada" se ele atender às exigências americanas, Pompeo disse à Fox: "Nós teremos que fornecer garantias de segurança, com certeza”.

Local de testes nucleares será destruído

No último dia 12, o país norte-coreano anunciou que irá destruir o local de seus testes nucleares. O país está tomando as “medidas técnicas” para realizar a ação entre os dias 23 e 25 de maio. Jornalistas internacionais foram convidados para cobrir o evento.

O anúncio foi feito pelo Ministério das Relações Exteriores, por meio da agência de notícias estatal KCNA. O fechamento do campo de Punggye-ri foi uma das promessas feitas por Kim Jong-un em sua negociação para tentar normalizar as relações com a Coreia do Sul e com os Estados Unidos.

Já último dia 20 de abril, o líder norte coreano Kim Jong-un já havia anunciado que o país interromperia os testes nucleares e balísticos. "O Norte irá fechar sua base de testes nucleares no norte do país para provar sua decisão de suspender os testes nucleares", acrescentou o comunicado da KCNA.

Encontro com Trump

No último dia 10, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia confirmado a data e o local em que irá se encontrar com Kim Jong-un. Esse será o primeiro encontro na história entre líderes desses dois países – e ocorre após meses de trocas de farpas entre o magnata e o ditador.

"O antecipado encontro entre eu e Kim Jong-un vai ocorrer em Cingapura, no dia 12 de junho. Nós dois vamos tentar torná-lo um momento muito especial para a paz mundial!", disse o presidente.

Apesar da data escolhida para o encontro mais esperado do ano – no Brasil, ironicamente, a mesma em que se comemora o Dia dos Namorados –, mundialmente, não há expectativas apenas positivas sobre a reunião.

Afinal, embora ambos os líderes tenham tomado atitudes que combinem com um discurso de paz, seus posicionamentos seguem divergentes. Por isso, um encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un pode não ser o suficiente para que os EUA e a Coreia do Norte alcançam estado de consenso para diversos assuntos – como a pauta balística e nuclear, por exemplo.


* Com informações da Ansa


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